O que o coronavírus (COVID-19) nos ensinou sobre a gestão de nossos negócios

Fruto de muita discussão nos campos da saúde, política e economia, sobretudo no Brasil, o novo coronavírus (SARS-COV-2) nos mostra um contraste mundial gigantesco. Não só em relação às fragilidades humanas, estruturais ou preparo em decorrência da pandemia, mas, também, um contraste entre os países em termos de tratativa, planejamento, responsabilidade e efetividade no combate à esse inimigo invisível, como disse Emmanuel Macron.

Assim como a crise em saúde ou política, no ambiente de negócios visualiza-se reflexos de dimensões similares, sobretudo nos negócios. Presente em nossa rotina como expectadores, inicialmente, o COVID-19, pouco interesse despertou na população brasileira, sobretudo pela distância e precedentes como o H1N1 que fora controlado de forma eficaz, sem grande impacto econômico ou mesmo de saúde para nossa população.

Esse fator, traz uma primeira reflexão acerca do ambiente de negócio pouco globalizado em nosso país, apesar de algum acesso à informação. No que tange à informação, inclusive, o Brasil possui uma infraestrutura tecnológica bastante atrasada em comparação com outros países, o que nos deixa refém de baixas ou remotas condições de armazenamento, transferência e manipulação de dados, que caso estejam adequadas, são direcionadas na maioria dos casos à empresas de tecnologia, grandes empresas, ou que possuem capital para investimento e visualizam a necessidade de melhorar suas plataformas informacionais.

Além disso, a falta de interesse pela informação, pode inclusive, matar seu negócio. Atualmente, não temos defasagem de informações em relação ao COVID-19, pelo contrário, há um esforço para massificar a informação, o que gera, inclusive, informações demais, fakenews demais, dados demais, que muitas vezes nem por nós, maiores interessados, são aproveitados. Similar às empresas: o excesso de dados inúteis. Pare, e se pergunte: quantos dados inúteis ou informações que não levam a nenhuma tomada de decisão/análise você têm manipulado diariamente em sua empresa? O problema não é gerar dados, mas não aproveitá-los. Quanto à busca de informações, apesar do Brasil possuir grande e amplas plataformas educacionais (corporativas ou acadêmicas), pouco se vê o empresário em sala de aula, eventos de aprendizagem, discussões coletivas, daquela pequena e média empresa, normalmente um dos primeiros a ser impactados em uma crise como a que vivemos, e o último a sair dela. Muitos deles até buscam desenvolver seus colaboradores, mas pouco investem em seu desenvolvimento. Alguns por se julgarem muito ocupados, outros por não achar que não fará diferença no negócio, ou que os ensinamentos acadêmicos ou teóricos estão distantes da prática. O fato é, que há diversas iniciativas, capitaneadas por diversas entidades de classe, sistema S, federações, sindicatos, mas o engajamento ainda é baixo por parte desses negócios.

Além da busca por informações, o planejamento, tão falado, é essencial para sobrevivência, em nenhuma época (desde o passado recente) foi tão evidenciado como nesse momento. Crises econômicas vêm e vão, mas a crise como a que estamos vivendo permeia todas as classes, reverbera e amplifica todas as demais falhas dos sistemas políticos, sociais, e logicamente o sistema econômico chegando até a ponta, nos pequenos empreendedores. Dentre a ótica do planejamento, ainda, encontra-se a menor observância e maior dificuldade em momentos como esses: o planejamento financeiro. Capital de giro, fluxo de caixa, ponto de equilíbrio, nunca foram palavras tão marteladas na cabeça do empresário, empreendedor. E é tão difícil entender esses conceitos? A resposta, muito clara, é sim! Mas uma coisa, pessimistas e otimistas concordam: a jornada nunca é fácil. Ainda que não seja fácil, diversos outros tópicos estão no radar do pequeno empresário, mas porque muitas vezes conceitos de gestão financeira, não?

Por fim, a efetividade. Temos visto diversos países patinar na formatação de resoluções do problema, em uma metodologia eficaz para combater a linha de progressão de contágio, a informação correta e assertiva (e em tempo) à população, sobretudo a de maior risco. Isso te lembra alguma coisa? Pois me lembra muito! É muito parecido com a tomada de decisão em nossas empresas! Atuar em demandas urgentes, realizar reuniões que nunca acabam e não se decide absolutamente nada, criar metodologias sem memória para replicação, entender os fatores críticos de sucesso e insucesso, analisar a linha de progressão e crescimento do negócio, negar uma iminente crise ou má temporada de vendas oriundas de decisões equivocadas, tratar os problemas com a devida seriedade para que não se tornem problemas estruturais ou estratégicos, comunicar com seus colaboradores sobre as decisões, os processos, e momentos vividos, atuar em pontos vulneráveis para mitigar a perda de mercado ou prejuízos financeiros. A necessidade de mudança é evidente.

Esse artigo, tem como principal pauta, a reflexão, que desde o início da COVID-19 em nosso país, tem me instigado em milhares de perguntas, e para que pensemos e analisemos mais o futuro, e não na crítica presente e passada, como fizemos nos últimos 4 anos em nosso país. Que participemos ativamente dos processos legislativos, tão abraçados pelas inúmeras entidades de classe, associações e demais instrumentos que abarcam a luta coletiva. Que possamos entender, nos informar e trocar experiências, práticas, ferramentas. Talvez essa crise não decrete o fim de muitos, mas deve ser considerada como o maior convite para um ambiente de negócios colaborativo, mais encadeado, mais associativo, que as empresas brasileiras, sobretudo as micro e pequenas, possam aprender umas com as outras, e que possam aplicar técnicas de gestão, ecossistema de informações, indicadores, tomada de decisões, metodologias que até então era um privilégio das grandes.

E você? Qual sua maior dificuldade tem enfrentado nessa crise?

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